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17 agosto 2019

Atlas da Violência

Homem jovem, solteiro, negro, com até sete anos de estudo e que esteja na rua nos meses mais quentes do ano entre 18h e 22h. Este é o perfil dos indivíduos com mais probabilidade de morte violenta intencional no Brasil. Os homicídios respondem por 59,1% dos óbitos de homens entre 15 a 19 anos no país.

Acesse o Atlas na Integra

03 fevereiro 2019

Suicídio

Sabrina Bittencourt
Saber que uma ativista morreu, retirando a própria vida, me faz questionar a sociedade em que vivemos. Não apenas ela, mas tantos outros retiraram a vida. Pode ser por motivos próprios, mas não vivermos sozinhos, somos conectados,  precisamos trabalhar unidos por uma sociedade melhor. Ademais, saber ouvir as entrelinhas e pedidos de socorro, por aqueles que estão ao nosso lado. Novas pesquisas precisam ser realizadas para compreendermos o fenômeno suicídio.

04 novembro 2018

Representações cotidianas

Escrevi um capítulo de livro, com alguns parceiros, aborda o tema de como os que falam da periferia na mídia à consideram. O livro não está disponível para download.

  • Oliveira E; Soares CB ; BATISTA LL; SEPARAVICH MA. Midiatização da Periferia: como os jovens se posicionam.. In: Edimilson Marques. (Org.). Representações Cotidianas Teoria e Pesquisa. 1ed.Paraná: CRV, 2018, v. 1, p. 107-118.

31 julho 2018

Uma Leitura Interseccional do cuidado ...


Mesa redonda na Abrasco 2018
Mesa Redonda: Uma leitura interseccional do cuidado com pessoas que usam drogas: incremento do estigma ou ampliação do olhar? Componentes da mesa: Emiliano de Camargo David (expositor), Flávia Fernando Lima Silva (expositora), Ana Lucia Marinho Marques (expositora). Elda de Oliveira (coordenadora da mesa).

Eu, coordenadora da mesa, poderia palpitar, todavia, cumpri o roteiro.  Neste espaço, trago indagações que me restaram. Antes, colocarei partes das discussões dos expositores. 

O primeiro a falar foi Emiliano. Ele dividiu sua fala em três eixos - o retrocesso da Política Nacional Anti-drogas [Proibicionista], Reinvenção do manicômio e a Psiquiatria Biomédica. Discorreu cada eixo tomando seus pontos centrais. Da Política abordou a questão da abstinência,  meta do tratamento, e questionou o papel do Estado (judiciário) prendendo consumidores de drogas. Trouxe a questão da polícia é o racismo institucional. Abordou o proibicionismo, guerra às drogas, matando jovens negros mais que países em guerra aberta. Abordou a questão do sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS) um sistema em que seus usuários são 70%  negros. Logo, sucatear o SUS é sucatear a saúde do povo negro. A reinvenção do manicômio são as comunidades terapêuticas que trancafiam os negros em nome do tratamento. Questionou quem está comandando as comunidades terapêuticas, os neopentecostais.  Emiliano abre ampla discussão para pesquisadores atentos para o encarceramento dos jovens negros, moradores das bordas da cidade. 

Ana Lucia abre sua fala com um texto da antropóloga Laura Moutinho:  Diferenças e desigualdades negociadas: raça, sexualidade e gênero em produções acadêmicas recentes . Moutinho faz o seguinte questionamento - "Como nos tornamos 'nós'? Como nos tornamos 'eles'?" A partir do texto Ana Lucia expõe o dilema que vivemos na prática do cuidado aos consumidores de drogas. Lidamos com as duas Políticas sobre drogas - Ministério da Saúde a favor da redução de danos e o SENAD do Ministério Público - proibicionista. Ana afirma que não se deve simplificar o atendimento aos consumidores de drogas, deve ser problematizado a discussão de raça, classe e gênero nos serviços.

Flávia Fernanda abre sua fala com narrativas que coletou durante os seus atendimentos, como médica psiquiatrica, atendendo mulheres nordestinas. Flávia traz a questão do Estado, esse que tem o direito de matar os párias da sociedade, em nome de uma sociedade sem drogas.  Coloca a plateia para pensar sobre o encarceramento de mulheres, a legitimidade da polícia em matar e prender jovens considerados traficantes e não trabalhadores do tráfico, a dificuldade das mães em encontrar espaços para chorar a morte dos filhos, morte legitimada pela polícia. Finaliza afirmando - não se deve simplificar o atendimento na clinica do consumo de drogas,  solicita uma clinica inclusiva.

Foram as questões que consegui apreender das falas. Em seguida abrimos para o público. Uma pergunta gira na minha mente. A pergunta foi de um médico colombiano que diz - O que vocês têm a dizer ao povo que está na Lapa gritando pela libertação do Lula, apoiando a esquerda, sendo que os dados que Emiliano trouxe são dados recentes em que o Estado era de esquerda?

 Neste espaço que venho produzindo sobre consumo de drogas, Politicas de Saúde e cuidado das pessoas - trarei alguns pensamentos que giravam e giram na minha mente.

O tema consumo de drogas na sociedade contemporânea é um desafio. O consumo de drogas ocorre não apenas entre a classe trabalhadora, mas entre todas as classes sociais. Todavia, a questão do jovem trabalhador do tráfico, trancafiado nas cadeias recai apenas aos jovens pobres.  Do meu ponto de vista, a classe hegemônica deve ser chamada para mostrar sua cara e o seu consumo, pois depende do trabalho do jovem da periferia. Uma questão em aberta nas discussões inclusive teórica.

O Estado, na forma da lei representa a classe dominante, seja ele de esquerda ou de direita. Precisamos repensar o Estado. Como se faz isso?

Trazer a discussão para os serviços que atendem os consumidores de drogas. Como fazer isso? Os  serviços são terceirizados, estão nas mãos da classe dominante. Os trabalhadores são enrijecidos, necessitam do trabalho, ao ampliar a discussão corre o risco de perder o trabalho. Há trabalhadores que não estão interessados na discussão, mas apenas no salário do fim do mês. Isso é um problema? Vivemos no capitalismo, o mercado exclui os que não se adequam. Como trabalhar essas questões? 

07 dezembro 2016

Representações cotidianas de jovens sobre a periferia

Esta publicação é resultado da minha tese de doutorado. Confira o resumo se interessar deixo o link para o acesso completo. 

Objetivos: compreender as representações cotidianas de jovens sobre a periferia, com a fi nalidade de compor os temas para programas midiáticos de educação sobre drogas. Método: abordagem marxista, com pesquisa-ação emancipatória e participação em ofi cinas de 13 jovens de uma escola pública da periferia de São Paulo. Resultados: entre os jovens há representações cotidianas contraditórias sobre o papel do Estado, que, de um lado, se ausenta para os direitos sociais e se apresenta para exercer o controle social na periferia e, de outro, é colocado como o interlocutor privilegiado para a melhoria das condições de trabalho e vida. Conclusão: a pesquisa-ação discutiu centralmente temas que circulam na esfera dos direitos sociais, alvo de reivindicação dos jovens participantes. Nota-se que é preciso ampliar a discussão para além da esfera do direito à cidadania, que constitui  apenas parte do debate sobre as desigualdades sociais inerentes à exploração capitalista e às transformações necessárias à igualdade.

13 março 2014

Coletando os dados de minha pesquisa mídia-educação e consumo de drogas

Falar em educação é assunto hard. Falar em mídia então e duas vezes hard, juntando consumo de drogas eleva o os duas vezes hard ao quadrado somando a isso juventude é de enlouquecer. Mas no fundo os jovens da periferia estão certo, querem fazer rolezinhos escutar funk e pensar em uma saída para a vida. Eu lá no meio de todos fixo meu olhar no meu objeto de pesquisa e me pergunto - Qual é a saída para tudo isso. Estou em busca da resposta.

22 março 2011

Estigmatização do uso/usuário de álcool

O consumo do álcool é um problema mundial.  Em todo o mundo tem sido realizadas pesquisas com o objetivo de intervenção em saúde dos problemas provenientes desse consumo exarcebado do álcool. Trago abaixo uma pesquisa realizada em conjunto pelas Universidades - de Juiz de Fora e, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. No final da postagem você encontrará o artigo na integra.

Estigma - um sinal ou uma marca que designa o portador como "deteriorado" e, portanto, menos valorizado do que as pessoas "normais”.
Estigma social como uma marca física ou social de conotação negativa ou que leva o portador dessa "marca" a ser marginalizado ou excluído de algumas situações sociais.
O estigma também está relacionado ao preconceito, e a pessoa estigmatizada é quase sempre alvo de preconceito. Preconceito é amplamente definido como uma atitude negativa, relativamente inflexível, que predispõe a pessoa que apresenta o preconceito a determinados comportamentos ou profecias autorrealizadoras. Embora o estigma esteja amplamente relacionado com o preconceito, o primeiro conceito apresenta abrangência e amplitude conceituais maiores. O uso de álcool e outras drogas é uma das condições que mais apresentam uma conotação moralizante do mundo, sendo considerado principalmente um problema individual, em que o diagnóstico e o tratamento muitas vezes exacerbam os aspectos morais do uso.

O surgimento e manutenção do estigma
O processo de estigmatização possui um substrato sociocultural e é parte de atitudes a respeito do objeto estigmatizado. Por sua vez, as atitudes são formadas por uma organização duradoura de crenças e cognições, afetos positivos ou negativos diante de uma situação social.  As crenças atuam entre a percepção de um determinado objeto (grupo) e a representação do objeto em si, havendo uma situação social que influencia o significado e a reação a respeito dessa percepção, levando o indivíduo a ter uma tendência classificatória ou de rotulação sobre outras pessoas. O mecanismo de generalização, presente no processo de estigmatização e estereotipização, leva a reações automáticas, por questões de economia psíquica, quando a mera presença de uma característica facilmente discernível seria suficiente para desencadear um processo automático de estereotipia.  Na sociedade moderna, um dos principais meios de formação, manutenção e mudança de crenças e atitudes é a opinião pública. A imprensa, portanto, veio caracterizar-se definitivamente como principal agente da opinião, tendo seu alcance e seu poder de influência aumentados.

Outros conceitos relacionados ao estigma são o de marginalidade e desvio. O primeiro estaria relacionado ao pertencimento a um grupo social estatisticamente incomum sobre certo atributo. Já o desvio seria entendido como um comportamento ou condição que envolve um indesejável desvio da normalidade em relação a um padrão específico. Uma pessoa estigmatizada pode ser percebida como desviante ou marginalizada ante uma situação específica.

O estigma, associado ao "alcoólatra" ou "dependente de drogas", tem levado os sujeitos, a sociedade e até mesmo os profissionais de saúde a resistirem em aceitar ou utilizar o diagnóstico de forma inadequada. Numa sociedade em que o alcoolismo ou uso de drogas apresenta uma forte conotação moralizante, o estigma social se torna um grande problema para o usuário.
No saúde, a conotação moral envolvida em alguns processos de diagnóstico se torna um início do processo de estigmatização de algumas condições. O julgamento moral envolve a concepção de algo como "problema" indesejável de se lidar, sendo considerado negativo. Nesse processo, tanto o problema em si quanto o portador desse problema são generalizados como um problema indesejável, influenciando diretamente no planejamento, no acesso e na responsabilidade sobre o tratamento por parte do profissional de saúde. Uma das estratégias para a abordagem é o foco na mudança de posturas que levam à estigmatização do uso de álcool como forma de prevenir os danos associados no sentido de melhorar a eficácia e o acesso ao tratamento. Para tanto, é importante considerar que as políticas assistenciais e a formação dos profissionais de saúde devem enfocar a mudança de atitudes negativas no sentido de evitar a estigmatização e a diminuição da consequente injustiça social que os portadores de sofrimento mental sofrem. Os aspectos socioculturais envolvidos no uso de álcool e outras drogas são fundamentais para o entendimento de como os usuários são cuidados/excluídos pelos profissionais

24 junho 2009

Relatório Mundial sobre Drogas 2009

O Relatório Mundial sobre Drogas 2009, lançado hoje pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), mostra que o mercado global de cocaína, opiáceos (ópio, morfina e heroína) e de maconha está estável ou em declínio, enquanto a produção e o uso de drogas sintéticas estão em crescimento nos países em desenvolvimento.
"O Relatório Mundial sobre Drogas 2009 demonstra que as drogas são um problema que atinge a todos os países. Todos nós temos a responsabilidade de enfrentar o abuso de drogas na nossa sociedade. Internacionalmente, a administração Obama está comprometida em expandir iniciativas de redução de demanda a fim de garantir que todos aqueles que lutam para superar o vício tenham acesso a programas efetivos de tratamento, especialmente nos países em desenvolvimento. Estamos aprendendo muito sobre a doença da drogadição e sabemos que o tratamento funciona. Por meio de uma ação abrangente de aplicação da lei, de educação, de prevenção e de tratamento, teremos êxito em reduzir o uso de drogas ilegais e suas consequências devastadoras".

http://www.unodc.org/brazil/pt/ASCOM_20090624.html

07 outubro 2008

08 maio 2007

72% dos caminhoneiros ingerem bebida alcoólica

Sandra e a sua aluna de mestrado entrevistando caminhoneiro

Pesquisa realizada pela Escola de Enfermagem (EERP) revelou que a questão do controle do uso abusivo de álcool nas estradas vai muito além da implantação dos conhecidos bafômetros e da proibição da venda dessas bebidas nos postos de combustíveis. A questão é mesmo de saúde pública. O alerta surge no bojo do estudo feito pela mestranda Josélia Benedita Carneiro Domingos, orientada pela professora Sandra Cristina Pillon, do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas. Foram entrevistados 1014 motoristas, sendo que 735 deles declararam fazer uso de bebida alcoólica, e desses 31% (229) já haviam sofrido acidente de trânsito.
O que chamou a atenção das pesquisadoras, entretanto, foi à condição de saúde desses motoristas. As conseqüências decorrentes do uso abusivo do álcool apontam que dos 735 motoristas que bebem, 196 já possuem alguma doença crônica e 189 fazem uso de medicamentos. A hipertensão arterial severa foi identificada em 70 motoristas bebedores e a Diabetes mellitus em 33, sendo que 56 apresentaram níveis glicêmicos acima de 131, índice considerado alto e que podem levar a diabetes.

“A pressão arterial acima dos limites, encontrada entre os bebedores de risco, pode levá-los a desenvolver doenças cardiovasculares, mas também não estão imunes aqueles que fazem uso em doses consideradas de baixo risco. A questão é preocupante, pois eles não têm percepção desse risco”, relata a professora Sandra. Segundo a professora, a vulnerabilidade de todo o grupo para o adoecimento é muito grande, pois a própria condição de trabalho, de até 12 horas diárias, leva ao sedentarismo, a noites mal dormidas, sem contar o uso das anfetaminas, muito presente nesse meio.

Apesar de somente 19 motoristas, entre os 735 que se declararam bebedores, assumirem que sofreram acidentes de trânsito após consumir bebida alcoólica, 194 disseram ingerir mais de três doses em uma só ocasião, a dose considerada limite pelas organizações de saúde, e 102 relataram se embriagar semanalmente. Segundo a orientadora do trabalho, ainda pôde-se identificar que 44% dos motoristas são bebedores em níveis de riscos moderados, bebem no final de semana e quase a maioria desses, mais de três doses em uma única ocasião, consumo considerado alto para os padrões estabelecidos.

O estudo foi realizado junto com a Campanha “Saúde na Estrada”, da empresa Autovias, concessionária que opera nas rodovias da região de Ribeirão Preto, e teve o objetivo de rastrear o uso de bebidas alcoólicas entre motoristas, principalmente de caminhões, nas estradas, conhecer a percepção desses motoristas quanto aos riscos da bebida e a sua associação com medicamentos e ainda iniciar um programa de prevenção junto a essa população. Os dados foram obtidos em duas das campanhas promovidas pela “Autovias”, em agosto e novembro de 2006 e no perfil dos entrevistados, estão homens casados, com baixo nível de escolaridade e da religião católica, com idade média de 40 anos e que trabalham de 10 a 12 horas diárias. A professora Sandra lembra que os resultados encontrados na região de Ribeirão não se diferenciam de outras pesquisas já realizadas e constantes na literatura e é compatível com o levantamento nacional do uso de álcool realizado pelo Ministério da Saúde.


06 janeiro 2006

Isenção Tarifária

Diário Oficial 21/12/2005
Transportes

Portaria Intersetorial nº 005/05 SMT/SMS

“Medidas administrativas e operacionais referentes à concessão no pagamento de tarifas de transporte público coletivo urbano municipal, sob responsabilidade da Prefeitura do Município de São Paulo, concedido às pessoas com deficiência”;

Considerando
  • Lei Federal nº. 7.853, de 24 de outubro de 1989 o qual estabelece apoio às pessoas com deficiência e sua integração social.
  • Lei Municipal nº 11.250 de 01 de outubro de 1992 o qual autoriza isenção tarifária às pessoas com deficiência a Portaria nº. 140/03 – SMT-GAB disciplinou que
“A isenção tarifária tem por objetivo oferecer melhores condições para a integração das pessoas com deficiência, incentivando-as a evitar isolamento e a se locomoverem em busca de atividades que possam enriquecer sua existência, facilitando, inclusive, a busca pela reabilitação, de forma a cooperar, o quanto possível para que continuem a produzir e participar das atividades sociais”. Novos critérios foram estabelecidos para essa concessão.
O atestado médico será valido para o cadastramento desde que haja diagnóstico CONCLUSIVO da doença. No caso necessário o profissional médico da unidade poderá fazer encaminhamentos a especialistas ou solicitar exames complementares. O prazo de validade da concessão é variável de acordo com o tipo de deficiência. O diagnóstico compatível com o CID-10 e que nos diz respeito ao CAPS adII EM é:
F.19 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas e ao uso de outras substancias psicoativas, o qual deverá ter importante comprometimento cognitivo e da independência.
F.21 Transtorno esquizotipico
F.24 Transtorno delirante induzido
F.25 Transtornos esquizoafetivos
Verificamos que foi excluído da tabela o F.10 – Dependência de álcool. Houve um pequeno movimento de alguns profissionais e pacientes que NÃO CONCORDAM com tal exclusão. Partindo da idéia de que a dependência de álcool e outras drogas, nem sempre leva os usuários a transtornos psicóticos e a incapacidade de produção; a Portaria é justa. Por outro lado, sabemos que a nossa realidade, os dependentes vivem em total exclusão social, com tal medida a reabilitação será ainda mais dificultosa.

Essa é uma medida questionável tanto aos trabalhadores da saúde mental como aos pacientes, pois acreditamos na reabilitação, porém para que possamos reabilitar os pacientes necessitamos encontrar o mínimo de suporte por parte dos nossos governantes. Do ponto de vista internacional o dependente de álcool e outras drogas deve ser tratado como qualquer outra doença; com está medida estamos voltando no tempo. Convido a todos os interessados neste assunto a pensarmos numa solução onde possam ser beneficiados tanto usuários como os donos do transporte.

02 dezembro 2005

Grupo terapêutico

A ajuda ao dependente de álcool e outras drogas pode ser oferecida numa variedade infinita de ambientes que vai desde do local do consumo ao ambiente de tratamento. Dentro desta visão ampla no qual o tratamento pode ser oferecido à terapia de grupo tem sido amplamente utilizada no dia-a-dia da vida dos profissionais.
Ciampone (1998) ao estudar sobre os grupos afirma que parece haver um consenso entre os autores e diversas correntes de pensamentos de que a definição de grupo é vaga e imprecisa no senso comum. Muitos estudos têm sido desenvolvidos para estudar os grupos, pois é uma técnica terapêutica a muito utilizada pelos profissionais, e principalmente no tratamento para dependentes de álcool e outras drogas. NEGRETE e Ramos afirmam ser está a técnica mais amplamente empregada no tratamento dos dependentes de álcool.
Ao estudarmos a assistência oferecida aos dependentes de álcool e outras drogas apontamos que estes têm suas representações sobre o seu consumo, atribuindo significados ao grupo dentro do contexto no qual está inserido. Assim, o primeiro passo ao realizarmos um grupo é conhecer suas representações sobre o consumo da droga. Além deste conhecimento, é necessária a compreensão da “dinâmica inconsciente das relações intra e intergrupais existentes no contexto das instituições” Ciampone (1998).

São inúmeras as aplicações grupais, segundo CIAMPONE (1998) vão desde de grupo de auto-ajuda, ensino-aprendizagem, terapêutico, institucionais e comunitários. Estes são classificados de acordo com a técnica empregada pelo coordenador, com a finalidade proposta ou com o vinculo estabelecido entre o coordenador e os componentes do grupo.
No campo da dependência existem diversas atividades grupais comum numa estrutura terapêutica, esses grupos tendem a ser fechados ou abertos. Os abertos os pacientes entram e saem do grupo, os fechados são grupos de aproximadamente 8-10 pessoas selecionados por sua homogeneidade ex. grupos de mulheres.
Os temas abordados nas sessões grupais dos dependentes de drogas são vários: grupo educativo aonde os pacientes aprende sobre a natureza da dependência, grupo de soluções de problemas aonde são abordados temas da realidade atual, ou focalizado nas questões interpessoais e dinâmicas, grupos de prevenção de recaídas onde os pacientes compartilham idéias em como manter a abstinência e evitar a recaídas, grupos de auto-ajuda exemplo o AA (embora o modelo de auto-ajuda exclua o ambiente de tratamento) são muito utilizado com os dependentes de álcool.
Baixa Adesão
A falta de adesão é um dos problemas encontrados ao tratar os pacientes dependentes de álcool e outras drogas; os tipos de abandono são categorizados em abandonos prévios antes da primeira consulta; abandono precoce, logo após a primeira consulta; abandono durante a fase inicial da terapia; e abandono tardio; na fase da manutenção do tratamento.

Manter os usuários vinculados ao tratamento é uma das grandes dificuldades dos que estão envolvidos nos serviços, devido ao baixo grau de aderência. Sawicki et al já apontava o aprimoramento do tratamento como ponto fundamental ao prestarmos assistência a esses pacientes.
Este e outros motivos nos levam a apontar a necessidade de ajustamento nos programas terapêuticos. Uma das alternativas para o problema da adesão é trabalhar a motivação dos com grupos motivacionais.
Grupos motivacionais
Os grupos motivacionais utilizam a técnica da Entrevista Motivacional. É uma técnica que engloba várias abordagens, tais como psicoterapias breves, terapia centrada no cliente, terapia cognitiva entre outras; o objetivo principal é ajudar o paciente a resolver sua ambivalência em relação ao seu consumo de álcool e outras drogas e ajudar na permanência no tratamento. O grupo destina-se aos pacientes ambivalentes quanto à mudança de comportamentos, sobre o seu consumo de drogas, buscando suas razões para mudanças ao invés de impor ou persuadi-los a mudar.
A abordagem em grupo motivacional é muito utilizada nos tratamentos, onde uma seqüência de mudanças comportamentais é apontada aos pacientes, onde a motivação para mudança e encarada de uma forma dinâmica, não estática e influenciável por fatores externos.
PILLON (2003) propõe nas atividades grupais aos alcoolistas, principalmente os coordenados por enfermeiras, ou sob a coordenação de outros profissionais onde a enfermeira participa como colaboradora; alguns temas os quais devem girar em torno da motivação, discussão dos problemas de saúde relacionados às conseqüências do consumo do álcool, função dos medicamentos e interações com outros.
Outro grupo referido ainda pela autora aos alcoolistas são grupos com aqueles que já apresenta algum tipo de doenças físicas decorrentes do consumo de álcool. Segundo a mesma os temas são variados é não necessariamente precisa ser o restringido ao álcool.
Lembramos que montar os grupos onde seus integrantes estejam reunidos em torno de um objeto comum já foi apontado por outros pesquisadores como ponto básico na elaboração dos grupos; o que não diferencia com os grupos específicos para álcool e tabaco. Relembrando que os temas abordados nos grupos serão diferentes. Para finalizarmos a abordagem sobre os grupos lembramos a EMPATIA é fundamental para o progresso do grupo.

Referências

Ciampone MHT. Grupo Operativo: construindo as bases para o ensino e a prática na enfermagem [tese] São Paulo (SP) Escola de Enfermagem da USP. Livre-Docência. 1998.

Negrette JC. Problemas Médicos.In: Ramos SP. Organizador. Alcoolismo Hoje. Porto Alegre: Artes Médicas; 1987.

Pillon SC. O uso do álcool e a educação formal dos enfermeiros [tese] São Paulo (SP): Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. 2003.

Ramos SP. Bertolete JM. Alcoolismo hoje.Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

10 setembro 2005

Tese Doutorado - OLIVEIRA M S

Tese apresentada à Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina para obtenção de Título de Doutor em Ciências.

São Paulo
2000

The main objective of this study has been to evaluate the efficiency of Motivational Intervention with alcohol-dependent patients. The study has been designed as a prospective random clinical trial, aiming at comparing the Motivational Intervention to the Conventional Treatment. The sample was made up by 152 male subjects who were inpatients at special units for chemical addiction. The average age of the target sample was 40 years and 6 months old, the minimum school level was 5th grade, and the avarage salary was 5 minimum salaries. The patients were selected randomly, 76 belonging to the Control Group and 76 belonging to the Intervention Group. All patients joining the research were submitted to the initial evaluation, answering to a series of instruments, from the Structured Interview for the collection of personal data to the specific instruments: Form-90, SADD, DrInC, SOCRATES/URICA, BAI/BDI, Vocabulary, Symbols, Cubes, and Rey´s Complex Figures. The Control Group patients, after hospital release, were directed to group work or AA, and the Intervention Group patients were assisted in four structured and planned sections, according to the model by William Miller (1992). The follow-up evaluation was done three months after the hospital release and the data were treated according to the Treating Intention Analisys and the comparison within each group as well as between them. The results show that 66% of patients from the Intervention Group undertook a follow-up exam, while 51% participated from the Control Group, there were more frequent losses in the Control Group than in the Intervention Group. The whithdrawal was higher in the Intervention Group than in the Control Group and even when there was relapse the amount of drinks was lower for the Intervention Group patients than for the Control Group. Concerning the scales that measure the Motivation for Change, the differences between the groups were significant for the sub-scale ambivalence and in the maintenance that represents that the Intervention Group patients have reduced their motivational ambivalence towards the problematic behavior. For the remaining scales the differences have been significant between the two groups. The conclusions of this study point to the efficency of the Motivational Intervention for subjects who are severe alcohol dependents; the subjects who undergo the Motivational Intervention present higher levels of compliance what implies consistent patterns of bonds with the therapy and, the solving of ambivalence. This change is characterized as a fundamental aspect for the treatment once the relapses take place in a “controlled” fashion, it is easier for the recovery. Therefore, the therapeutic basis of Motivational Intervention happens through empathy, making it possible for the patient to experience the changing of his own change.